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i.e. do Quênya, inventado por Tolkien. VINYAR, notícias/novidades; -NYAR, meus/minhas

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Quinta-feira, Março 31, 2005



O que estou lendo:



Eis uma das muitas traduções em português do trecho inicial de "Lolita", do Nabokov:

Lolita, luz de minha vida, fogo de meu lombo. Meu pecado, minha alma. Lolita: a ponta da língua fazendo uma viagem de três passos pelo céu da boca, a fim de bater de leve, no terceiro, de encontro aos dentes. LO. LI. TA.
Era LO, apenas LO, pela manhã, com suas meias curtas e seu um metro e quarenta e oito centímetros de altura. Era Lola em seus "slacks". Era Dolly na escola. Era Dolores quando assinava o nome. Mas, em meus braços, era sempre Lolita.


NABOKOV, Vladimir. Lolita. (tradução: Brenno Silveira). São Paulo: Abril Cultural, 1981.

Sinopse:
Irreverente e refinado, este é um dos romances mais célebres de todos os tempos. É também uma aventura intelectual que não deixa ninguém indiferente, um relato apaixonado de uma sensualidade alucinada, uma autópsia implacável do modo de vida americano.
De um lado, um homem de meia-idade, obsessivo e cínico. De outro, uma garota de doze anos, perversamente ingênua. A química se faz e dá origem a uma obra-prima da literatura do nosso século. Lolita é chocante, desafia tabus, escandaliza. Ao mesmo tempo em que mostra o escritor maior Vladimir Nabokov, que junta o humor devastador de um Voltaire ao desespero existencial de um Dostoievski.

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Observação: apenas uma pessoa saberá, ao ler este post, seu real sentido e verdadeira intenção...


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Quarta-feira, Março 30, 2005



Em minhas incursões pela cidade, nos dias em que visto a máscara e assumo meu lado flâneur*, sempre noto acontecimentos e situações, no mínimo curiosas.

Hoje, da janela do ônibus vejo duas pessoas atravessando a rua vindo de lados opostos. Provavelmente ambos pensam: "Ele está me vendo e não vou mudar meu trajeto" ou "Não sou eu que tenho que sair da frente", que sinceramente acho ser o mais provável...

A questão é que eles continuam em seu caminho, e a fatalidade acontece! Eles se trombam com tamanha intensidade que uma dessas pessoas (a mulher) se estatela no chão, talvez por ser fisicamente menor, ou por qualquer outro motivo, quem sabe.

A outra pessoa? Bem, parou para reclamar, é lógico, mas não disse nada ao ver que seu "alvo" tinha sido "abatido"... Só resta agora voltar à base e aguardar novas instruções.

É impressionante a intensidade em que a cidade vem se transformando, se tornando um mortuário, que já está servindo para ela mesma. Fatos da pós-modernidade...

*flâneur: sujeito histórico/social que vê a cidade, com os olhos externos à ela. Por definição, o flâneur se incomoda com o que vê, mas ao mesmo tempo não milita em nenhuma causa a favor disso. É algo como sofrer em silêncio...
Definição criada por Walter Benjamin a partir da literatura Realista/Naturalista de Charles Baudelare.



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Quinta-feira, Março 24, 2005



As Pequenas Injustiças

Não me conformo com as pequenas injustiças. Aceito as grandes, porque são inevitáveis, como as catástrofes, e atestam a impotência dos deuses.
Aquela criança, descalça, apenas precisava de uns sapatos. Se tivesse nascido sem pés, não era tão grande a minha revolta.

António Arnaut, in 'As Noites Afluentes'



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Balada da Rosa Negra


Prelúdio

Hoje tive que me esconder da chuva negra que caída pela cidade... Enquanto via pessoas serem consumidas pelo caos e pela dor a que eram acometidas, pensei em uma maneira de poder morrer tranqüilamente...
Talvez porque eu não quisesse mais aquilo tudo que tinha herdado de meus ancestrais, o lixo que encontrei depois que eu nasci. Desde cedo essas noções para mim sempre foram confusas e ainda mais agora, que estava sozinha, incapacitada, e precisando de alguém.
Procuro um pouco de afeição no beco onde me encontro, e só vejo miséria, pessoas mutiladas por um simples aceite numa sociedade que não espera ninguém, que tem medo de todos, onde o toque humano tinha sido abolido.
Enquanto sou obrigada a ficar aqui, muitas coisas passam pela minha cabeça, como aquela vez em que eu tive que dar o pé na bunda daquele chato que começou a ficar no meu pé depois daquela rave, ou até mesmo nas poucas noites tranqüilas que tive depois que me tornei mulher, se isso pode ser classificado desta maneira, ou se ¿passar a noite chupando caralhos em troca de sustento¿ fosse algo que valesse alguma importância para mim.
As pessoas me olham e eu tenho medo delas, de tudo, não sei muito bem quando deixamos de apreciar a compania humana, mas já faz muito tempo, acho que já em minha gestação aprendi a desconsiderar contato humano. Bom, você pode ficar se perguntando como nascemos e vivemos neste lixo sub-atômico em que se tornou a Terra, pois provavelmente está no aconchego do seu lar, há anos no passado e muitas vezes não conseguiu imaginar o futuro que te espera. O fato é que nos dias de hoje compramos nossos filhos, como se estivéssemos indo à supermercados, todos são obrigados, nas seções vid-sex, a depositarem o fruto do seu súbito amor em compartimentos interligados todos à Grande Roda, gozado não? Faz muitos anos que ela deixou de girar...
Todos fazemos isso enquanto viajamos com pessoas que nunca vimos na vida, interligados num sistema de imagens e som transmitidos em alta velocidade a todos os cantos do planeta.
A chuva continua lá fora... Enquanto escuto os trovões, sem querer também escuto os gemidos e os gritos das pessoas lá fora e, mesmo apreciando a cena, também não posso deixar de sentir um certo desgosto por isso, por que será?
Enquanto estou perdida em meus pensamentos, quase não percebo que em meio à toda aquela confusão, existem duas pessoas andando lá fora, como se não percebessem que estavam perdidas, e que tão logo, suas roupas seriam praticamente desintegradas e o fim seria certo. Quem seriam elas? Por que muitas coisas estão acontecendo tão repentinamente comigo?
Muitos de nós estamos gritando para que eles saiam de lá e procurem algum abrigo, umas outras pessoas querem ver realmente o que acontecerá com elas se elas permanecerem ali por mais alguns minutos, e eu tento ficar além de tudo isso, aprendi à duras penas que não devo me tornar visível enquanto estiver em ambientes públicos, se bem que ultimamente perdi a noção do que é público e o que é privado.
Alguns carros, na tentativa de evitar uma tragédia maior, com seus próprios motoristas cabe registrar, desviam perigosamente deles, que agora olhando mais longamente, vejo serem dois homens, um praticamente da minha altura, que não é lá grande coisa, e outro, provavelmente duas ou três vezes maior. Estão portando equipamentos que nunca tinha visto, ou que não me lembrava agora, e certamente vestiam roupas diferentes das nossas, pois não se incomodavam em estar tão expostos ao perigo.
Na tentativa de tentar me alienar à tudo isto, ouço um nome que quase havia me esquecido: Borboleta! Era assim que me tornei conhecida na rede, como as pessoas costumavam me chamar, mas aqueles eram tempos já distantes e que dificilmente retornariam...
Quase sem tempo de alguma ação, sinto um pedaço de cano, pelo menos pensei que fosse, vindo em minha direção me deixando jogada sem tempo de qualquer tipo de reação. Antes de desmaiar, ainda consigo ouvir estas palavras:
-- Não pode ser ela! A verdadeira com certeza teria me quebrado o maxilar!
-- A análise de dna confere com os registros históricos, vamos levá-la.
A chuva está passando...


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Copiando as divagações de um outro blog...

Eu também acho que sou um blogueiro de merda, já que só escrevo quando me dá na telha e quando me sinto emocionalmente diferente do que geralmente é normal.

Aos possíveis leitores, fiéis ou não: acho que já notaram essa característica em mim, e por isso peço encarecidamente que me perdoem.

Só para contar: ando estudando muito, e escrevendo também, inclusive alguns roteiros para um projeto de quadrinhos ( ! ). Trabalhando muito mais do que gostaria, mas gostando, afinal de contas, é isso o que importa, não é mesmo?

Um dia eu escrevo um livro de memórias com minhas idas e vindas, prometo. Talvez se chame "O Clube dos Idiotas"....

Forza Sempre!



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