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Quinta-feira, Março 25, 2004
Posted
18:45
by Carlos Correa
Time After Time
Cindy Lauper / Tuck and Patti
Deitado em minha cama
Eu ouço o tic-tac do relógio e penso em você
Estou preso em círculos e confusão não é novidade
Me recordo de noites quentes, quase esquecidas
Trago um monte de lembranças
Vez após
Algumas vezes você me vê
E estou caminhando bem a frente e você me chama
E não consigo ouvir o que você disse
Aí você diz, "Vá com calma, fiquei para trás"
E o ponteiro dos segundos volta atrás
Refrão
Se você estiver perdida,
Pode procurar e vai me encontrar
Vez após vez
Se você cair eu te segurarei, eu estarei esperando
Vez após vez
Vez após vez
Depois minha imagem desaparece
E a escuridão fica mais clara
Olhando pelas janelas
Você se pergunta se estou bem
E com segredos roubados lá do fundo
O tambor bate fora do compasso
Refrão
Vez após vez...
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Terça-feira, Março 16, 2004
Posted
19:15
by Carlos Correa
¿Anarquista¿!?, ¿Comunista¿!? (Traduzido e adaptado de um artigo do GCI escrito na revista ¿Comunismo¿)
Não importa o nome que o proletariado use durante a luta de classes...
Organizemos a revolução
Nós vamos aqui desenvolver a distinção fundamental existente entre anarquia como ideologia e anarquia como partido do proletariado. Se o proletariado defende o estabelecimento de uma comunidade humana e a destruição de todo Estado, a base é o desenvolvimento do movimento real de abolição da ordem estabelecida e não o sentimentalismo ideológico desenvolvido ¿ com o nome de comunismo ou de anarquismo ¿ pela contra-revolução. Uma ideologia ¿ não importa se refere formalmente a comunismo, anarquismo ou cristianismo ¿ nada é mais que uma massa de idéias pré-definidas da qual seus apoiadores ¿ os ideólogos ¿ procuram encontrar na realidade, o lugar onde finalmente possam confirmar satisfatoriamente suas teorias, mesmo se isso significa ignorar ou culpar ao curso da realidade que não corresponde a suas expectativas. A ideologia anarquista, como toda ideologia, é baseada em uma ou outra aposta filosófica (em Pelloutier, o sindicalismo deve levar a revolução; em Faure, a idéia de liberdade pode alcançá-la; em Abad de Santillan, o federalismo é a garantia da revolução; em Stirner, o indivíduo, etc.) de modo a resultar na transformação destas idéias em uma força material que, via sindicalismo, anti-autoritarianismo, federalismo, individualismo..., integre o esforço reformista do capitalismo em geral evitando sua destruição. O anarquismo ideológico tem tão pouco a haver com o movimento real contra todo Estado quanto o Stalinismo ou o democratismo com a supressão das classes sociais. A ideologia anarquista (oposta à anarquia como destruição do Estado), tanto quanto os leninistas ou marxista-leninistas (opostos ao movimento comunista) são ambos os piores inimigos do proletariado.
Nossa oposição acerca do pseudo-antagonismo que possa existir por si entre as correntes chamadas ¿comunistas" e "anarquistas", consideradas a priori (o que é dito de um ponto de vista ideológico), como entidades absolutamente irreconciliáveis programaticamente, sagradas famílias derivadas de teses de origem inteiramente distinta, constituirá assim uma surpresa somente para os ideólogos, estes mercadores da mente que dão total confiança na construção de idéias antes que a projetos verificados.
Para nós, este modo ver é baseado em uma revisão da história desenvolvida pela social-democracia (1) que tentou confiscar as contribuições de Marx para transformar suas afirmações revolucionárias em uma religião ¿o "Marxismo" - esvaziadas de seu conteúdo subversivo e estruturadas em torno da idéia da conquista ¿política¿ do Estado (2). Os revolucionários que se opõem a esta recuperação encontram-se descritos como "anarquistas".
(nota 1) Nós não nos referimos aqui a tal ou qual partido formal da social-democracia. Nós nos referimos a social-democracia histórica, ao partido histórico da reforma capitalista, ou seja, à totalidade das forces participantes no desenvolvimento de um programa capitalista no que diz respeito aos trabalhadores. Neste nível, fica claro que muitas organizações reclamando serem "anarquistas" ou "anarco-sindicalistas" tem contribuído abertamente para o desenvolvimento da social-democracia, mesmo que eles não pretendam pertencer a corrente formalmente denominada como tal.
(nota 2) Esta versão social-democrata de um Marx "dirigido à conquista do Estado" tem sido sistematicamente denunciada e atacada pelos militantes comunistas, inclusive aqueles que se definem como ¿anarquistas¿, e no tempo onde as polarizações que a social-democracia causou eram as mais poderosas, no último século. Assim, o "Grupo Anarquista de Bruxelas" publica em 1912 um texto que diz, acerca da análise da "corrupção estatista e social-democrática do movimento socialista": "Parece-nos pouco razoável que seja decisivo atribuir aos Alemães uma corrupção de ordem espontânea e geral. Meramente para se aliciar em Karl Marx a justificação de táticas que em nada seguem a palavras do ¿ Mestre¿. Encontra-se em Marx, Engels e alguns de seus discípulos, um ácido criticismo do Estado e das eleições, afirmações anarquistas que no mínimo provam que as idéias destes homens foram distorcidas pelos políticos." ("Socialism against the State and politicians", publicação do Anarchist Group of Brussels, Editions du Révolté, Dezembro de 1912).
Esta dicotomia imposta pela social-democracia encontra-se reforçada por todos aqueles que, apressando-se em constituir um novo santuário, competidor ao "Marxismo", procurando definir a paternidade da revolução em torno de tudo o que, na história, houver feito referência à anarquia. Enquanto tentam teorizar uma pseudo-unidade em torno destas referências, nada mais fazem que estruturar um novo corpo de posições ¿ um anarquismo único ¿ onde as posições revolucionárias juntem-se as piores afirmações reformistas... dentro da melhor imagem dos partidos ¿marxistas¿ que se denunciou! Esta confusão dentre duas religiões na mesma medida impecavelmente social-democratas acaba por misturar a linha real de demarcação entre revolução e contra-revolução. O retrocesso surge do movimento comunista no início dos anos 20, e o desenvolvimento do Leninismo, e então do Trotskismo, do Maoismo, e do mesmo modo do "anarquismo", reforçaram a instalação da separação social-democrata entre "comunistas" e "anarquistas", de forma obscurecer hoje o fato de antes de 1914, não havia uma bem definida fronteira entre publicações e militantes reclamando o comunismo e/ou a anarquia, e que havia muitos que, sem fazer qualquer divisão no movimento, referiam indistintamente a um ou a outro.
A confusão é de agora em diante total: "anarquistas" e "comunistas" aparecem como entidades sagradas, sagradas famílias separadas por supostos preceitos originais inteiramente diferentes; e esta atitude ideológica agora prevalece como método de análise de toda prática revolucionária.
Este modo de ver contém inteiramente os desvios peculiares a uma visão que não parte da prática militante real, mas das especulações, das idéias, das bandeiras representando a ação militante. È realmente surpreendente ver os ideólogos propondo tão abertamente à citação de Marx, que chama a julgar o homem "não naquilo que ele diz, mas naquilo que ele faz" enquanto permanecem incapazes de aplicar o estágio-ABC deste preceito na analise de uma corrente ou uma organização. Aqui, a bandeira é sistematicamente confundida com o movimento.
Assim, em consideração aos grupos ou militantes ideologicamente rotulados nas correntes consideradas "comunistas" e "anarquistas", não se examina em geral o conteúdo de suas ações, mas aquilo que elas pretendem acerca de si mesmas. E estas pretensões são suficientes para opor campos ideológicos e fechar suas respectivas famílias em áreas separadas, mecanicamente delimitadas. Este avanço marcado com religiosidade direcionada a cobrir com a mesma bandeira ¿anarquista¿, as práticas contra-revolucionárias dos participacionistas governamentais na Espanha em 36 e das unidades revolucionárias de insurgentes em torno de Makhno na Ucrânia do início do século. E reciprocamente coloca no mesmo saco rotulando de ¿comunistas¿, o desenvolvimento do Estado capitalista na Rússia sob a égide de Lênin, e a ação revolucionária do Partido Operário Comunista Alemão (KAPD) em 1920.
Se agora se permite o domínio da ideologia e mira-se um momento dentro da história do movimento operário, nota-se que o programa do proletariado tem se voltado tão mais para a defesa do comunismo (referencia ao estabelecimento de uma comunidade humana real, sem classes, sem Estado) quanto para a anarquia (referência à destruição revolucionária de todo Estado). É bom evitar umas distinções terminológicas e ideológicas que não tem qualquer sentido, e que ao seu tempo, Karl Marx, em conflito precisamente contra a ideologização de algumas diferenças entre ele e Bakunin, repetiu bastante pertinentemente que todos os socialistas reivindicavam a anarquia quando estes se referiam a remoção do Estado (3).
(nota 3) "Por anarquia,todos os socialistas compreendem isto: que o objetivo do movimento proletário, a abolição das classes, uma vez alcançada, o poder do Estado, que é usado para a manutenção da grande maioria produtora sob o julgo de uma pequena minoria exploradora, desaparece,e a função governamental é transformada em simples função administrativa." (Karl Marx ¿ As supostas cisões na Internacional). Pode-se discutir provavelmente a definição de anarquia dada aqui pelo camarada Marx, mas em qualquer caso, não se pode negar a ele a defesa e o apelo a ¿anarquia¿, e a perspectiva de abolição do Estado.
Mas ainda mais extensivamente, existe um bom número de militantes revolucionários que tem conduzido suas atividades em torno de outras bandeiras que aquelas da anarquia ou do comunismo: a exemplo da ¿esquerda socialista-revolucionária¿ na Rússia, do ¿Partido Liberal¿ de Florès Magon no México, ou de algumas "Uniões" na Alemanha, etc.
É então metodologicamente absurdo e politicamente falso sumarizar a definição do caráter revolucionário ou não de uma vanguarda por aquilo que ela diz de si mesma ou ao modo do qual esta formalmente se apresenta. A ação principal é determinar a real prática social de uma organização (dentre as quais os escritos e bandeiras constituem um momento) e não partir de tentativa ideológica de provar a priori que o simples fato de definir a si mesma como "anarquista" ou "liberal", garante de maneira obvia contra qualquer espécie de desvio. Confundir a prática que uma expressão militante realmente assume com a bandeira que esta sustenta não tem qualquer sentido.
Quanto a nós, nosso ponto de partida invariavelmente situa-se na contradição central entre revolução e contra-revolução. Para estimar um movimento social ou a prática de uma minoria militante, nós sempre partimos da contradição material fundamental existente entre de um lado, o proletariado, uma força social que tem a abolição de todas as classes e de todo o Estado por única possibilidade de liberação, e de outro lado, a burguesia, uma força social que não tem qualquer outro interesse para assegurar seus privilégios que não seja defender o Estado e sua própria existência como classe dominante. Nós partimos, portanto deste antagonismo real entre duas classes sociais batalhando em direções opostas, uma pela conservação do mundo, a outra por sua profunda transformação.
De fato ¿nós afirmamos- que nós estamos conscientes que as bandeiras e slogans com os quais se luta não são neutros, que eles influenciam bastante concretamente o início de uma prática social. E se nós compreendemos que proletários podem conduzir momentaneamente a luta de classes sob as bandeiras confusas de Paz ou Liberdade, por exemplo, nós, entretanto não iremos nos privar da crítica daquelas demais perspectivas realmente parciais, através das quais a burguesia estará desde a muito refreando o possível impulso revolucionário abrigando-lhe no campo do reformismo e da defesa do Capital.
Mas novamente, o criticismo com a falta de ruptura com a ideologia dominante que aparece nas bandeiras, palavras-de-ordem, textos... não pode constituir em si mesmo o corte definitivo de uma apreciação geral da prática militante de um grupo ou movimento social.O que importa é verificar na atividade assumida, o caráter revolucionário ou contra-revolucionário.
Armados com este materialismo social, armadas com esta contradição real entre revolução e contra-revolução, nós podemos agora voltar as correntes chamadas ¿comunistas¿ e ¿anarquistas¿. E a partir deste ponto de vista, o que nós vemos se investigarmos, por exemplo, a contradição entre um ¿dizer¿ revolucionário e um ¿fazer¿ contra-revolucionário?
Que o "comunista" Lênin, não importa se ele escreveu que era necessário destruir o Estado, quando na prática, ela assume a defesa deste até advogar abertamente o completo desenvolvimento do capitalismo na Rússia.
Que o "anarquista" Garcia-Oliver sempre se definiu como um irredutível adversário do Estado e que ele continuara defendendo este caminho... mesmo quando ele assumira claramente a defesa deste, aceitando ocupar um cargo do Ministério da Justiça, e a criar campos de trabalho no governo republicano da Espanha em 1936.
Que o círculo bolchevique presente na França pré-guerra não importa se este reagrupou militantes ao redor de um programa formalmente estruturado em torno da luta contra a guerra capitalista, isto não evitará que a maioria do grupo responda, em 1914, ao chamado de defesa da República Francesa frente ao Império Germânico.
Que os anarco-sindicalistas da CGT e um bom número de "anarquistas" na França que haviam aprontado uma agitação acerca de sua irredutível recusa de todo patriotismo, tomaram o lado, por maioria, com o campo dos militaristas desde o primeiro tiro de canhão (4).
(nota 4) Atrás da defesa dos profissionais e dos pagamentos feita pelos sindicatos, sobressai a defesa do trabalho e salário, digo uma adaptação ao capitalismo. Uma defesa do trabalho assalariado que a "Confédération Générale du Travail" complementará enquanto que chamando abertamente ao massacre imperialista em 1914, seguida nisto pela imensa maioria dos "anarquistas" organizados em torno dela. Portanto a defesa do sindicalismo por uma porção de expressões militantes tentando distinguir-se da ¿Segunda Internacional¿, será a contrapartida das ilusões parlamentares conduzidas por todos aqueles que pensavam ser hábeis a organizar o proletariado em partidos social-democratas.
Isto é fundamental para criticar especialmente o papel centrista daquelas frações de oposição que, por dentro dos partidos social-democratas como das organizações anarco-sindicalistas, contribuíram com seu "apoio crítico" dirigido a iludir o proletariado. Enquanto desejavam "retificar" o curso reformista destas organizações, estes militantes evitavam o reagrupamento real dos trabalhadores em torno de seu próprio projeto autônomo, em torno da perspectiva comunista.
De qualquer forma, não tem utilidade a tentativa de isolar em uma simples denominação de uma família, qualquer que seja esta "socialista", "anarquista", "comunista" ou "libertaria", algum caráter sagrado que a protegeria às vezes automaticamente seus membros de todo desvio contra-revolucionário ou que os definiria algumas vezes pela mágica a filiação à revolução.
A via vermelha do proletariado revolucionário encontra-se na afirmação histórica de seu programa. Na crítica prática de todos os Estados, na recusa de toda Guerra capitalista, na luta para abolir a exploração, na rejeição do parlamentarismo e do sindicalismo (5),... e mais globalmente no esforço geral para agregar em força organizada, em classe, em um partido decididamente distinto de todos os partidos burgueses, em um partido reunindo a história de todas as rupturas programáticas alcançadas pelo proletariado.
(nota 5) A existência de posições revolucionárias decididamente anti-sindicalistas, e indistintamente críticas da "Confédération Générale du Travail" do princípio do século (posições contraditórias) faz com a CGT francesa se pareça com o equivalente para a internacional anarco-sindicalista, daquilo que foi o SPD alemão para a internacional dos partidos social-democratas. Se o SPD constituiu a espinha dorsal da "Internacional Socialista", a CGT quanto a isto, pode ser vista como a ponta de lança do reformismo "anarco-sindicalista" ou "sindicalista revolucionário".
Na verdade seguir o ponto de vista de uma família ideológica de luta ¿ obrigatoriamente com as mesmas palavras ¿ de outro ponto de vista, indica a existência de uma outra base que não é a nossa. Os revolucionários jamais partem da ideologia, mas do movimento real. O Manifesto do Partido Comunista já defendia esta posição em 1848, quando este afirma que "as conclusões teóricas dos Comunistas não são baseadas em idéias ou princípios que foram inventadas, ou descobertas, por este ou aquele que fosse um reformador universal. Elas meramente expressam, em termos gerais, as relações atuais impulsionados por uma luta de classes existente, por um movimento histórico acontecendo sob nossos olhos.¿.
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19:08
by Carlos Correa
Sobre micronações (texto emprestado do Sacro Império de Reunião):
Uma micronação é uma simulação política, um hobby que envolve pessoas que gostam de política, história, e relações internacionais; é o "paísmodelismo". Funciona da seguinte maneira: algumas pessoas se reúnem e fundam um país, país este que tem todas as características de um Estado Nacional, menos uma: jurisdição sobre seu território. Os outros requisitos, população, governo e cidadania, estão presentes. Como nunca.
Enquanto na sua "macronação" sua opinião só é manifestada através de seus representantes (a não ser que você seja uma "Excelência", claro ;-), numa micronação como Reunião, pode ser você a lutar por seus interesses. Em razão do número diminuto de cidadãos, a sua opinião tem peso; mesmo que em seus primeiros meses como cidadão você não ocupe uma posição de grande importância, todos ouvirão sua voz. É comum ver-se "novatos" se transformarem, em questão de semanas, em membros da "Classe Dominante".
Existem mais de 300 micronações pelo mundo, várias delas com "representação" na Internet. Há micronações que se utilizam dos mais curiosos sistemas de governo (monarquias são, porém, o sistema de governo mais utilizado, tanto constitucionais como absolutas), países que se relacionam como se realmente soberanos fossem. Para servir de mediadora entre tantos países, foi criada a Liga dos Estados Secessionistas, a L.O.S.S., conhecida como "a ONU das micronações". São membros da Liga as nações mais influentes do chamado Mundo Micronacional (idioticamente apelidado de "micromundo", já que de pequeno este mundo nada tem). Os micropaíses ou microestados, como também são chamados - o que a boa doutrina encara com desconfiança, como veremos a seguir - são alvo de estudos de sociólogos e outros acadêmicos; a micropatriologia é ciência humana em sua essência, tendo sido assunto principal de livros e teses que tratam da possibilidade de se criar, de maneira - digamos - artificial, uma sociedade. Entre os maiores estudiosos da matéria está o professor francês Fabrice O 'Driscoll, presidente do Instituto Francês de Micropatriologia, que publicou no final de 1999 seu livro "Ils ne siègent pas a l´ONU", através da editora Les Presses du Midi (pode ser adquirido via internet, por cerca de 20 euros). Com muito gosto colaborei com Fabrice na edição do livro, que já é considerado a bíblia das micronações.
O Movimento Micronacional se divide, classicamente, em três tipos de micronação: as derivatistas (que se utilizam somente de elementos reais; seus membros utilizam-se de nomes verdadeiros, a nação localiza-se, geralmente, onde mora seu líder ou fundador, e sua história começa a partir de sua fundação, sem qualquer elemento fictício; como exemplo, Talossa), as modelistas (aquelas que misturam a ficção com a realidade; seus membros podem usar pseudônimos, mas jamais assumir personagens distintos. Sua localização pode ser em qualquer lugar do globo terrestre, mesmo que nem um cidadão sequer seja morador daquela localidade. Podem adotar histórias fictícias até o dia de sua fundação, e a partir daí começa a ser escrita sua verdadeira história. O exemplo maior desta categoria, muito popular na América Latina, é Reunião. Os modelistas têm plena noção de serem praticantes de um hobby, uma simulação.) e as peculiaristas (são quase que completamente fictícias; seus membros podem assumir vários personagens, inclusive não-humanos, sua localização pode ser em um outro planeta ou dimensão e sua história é sempre fantástica. Nenhuma micronação é melhor exemplo desta subdivisão do que Llome). Existem graus de peculiarismo: uma nação assim classificada pode ter, por exemplo, localização em Saturno e habitantes não-humanos, mas seus acontecimentos são verdadeiros, e ela é extremamente activa. Por outro lado, pode uma micronação peculiarista localizar-se na Bolívia e seus acontecimentos, mesmo diários, serem fruto da imaginação de seus membros.
Segundo alguns, haveria também as micronações virtualistas, as quais seriam aquelas que, apesar de terem caracteres de qualquer uma das três categorias retromencionadas, consideram-se "países irreais" ou até "cidades virtuais"; porém cremos ser esta classificação errônea pelo simples fato de não serem micronações, e sim jogos de RPG "on-line", que vêm e vão num piscar de olhos (seriam exemplos as defuntas Web Island e Santa Clara). Nós cremos ser a palavra "virtual" antítese de "micronação", já que uma micronação é formada de pessoas reais, que protagonizam acontecimentos reais. Adicionalmente, cremos que uma organização "virtualista" não tem cidadãos, e sim membros.
Muitos micropatriólogos acreditam na existência das chamadas "one-man nations", micronações formadas apenas de um habitante ou mesmo por várias, que por vaidade ou qualquer outro motivo, têm seu fundador como única pessoa que realmente decide o que deve ser feito, como único cidadão activo. Nós preferimos ignorar esta classificação, já que pode ser diluída entre as três outras, dependendo de seu sistema. Existem também aquelas organizações que cobram dinheiro por títulos de nobreza ou até pela cidadania; não são por nós consideradas verdadeiras micronações, já que estas não devem ter fins lucrativos. Zugesbucht e Chocônia seriam exemplos flagrantes.
Há de se dedicar um parágrafo separado para as que Aguiar classifica como concretistas, que seriam aquelas (supostas) micronações reconhecidas como soberanas e independentes por uma ou mais macronações, não sendo, porém, membros da O.N.U. (O internacionalista Celso Duvivier de Albuquerque Mello acredita que, com raras exceções, para que seja considerado ESTADO, uma nação deve fazer parte da ONU). Discordamos também, assim como Jean Tisserand e Thomas Leys, desta concepção, acreditando se tratarem de microestados, e não micronações. Exemplos seriam Seborga e Sedang. A diferença entre microestados e micronações reside no facto de que estas não lutam - ou são incapazes de fazê-lo - pelo seu reconhecimento diplomático por 'macronações', já que não têm argumentos legítimos à luz do Direito Internacional para requisitar jurisdição total sobre um território.
Também são mencionadas nos meios micronacionais as chamadas micronações projectistas, que seriam projetos de uma nação ideal, onde um sistema de governo e estrutura social são montadas, porém sem a intenção de tornar aquilo que foi criado um micropaís activo. Muitas surgem como trabalho escolar ou até mesmo para ilustrar as idéias de um determinado partido político. Alphistia e a URSP seriam ótimos exemplos. Acreditamos, contudo, que as projectistas seriam uma sub-espécie das modelistas, pois se enquadram perfeitamente em sua descrição.
Não se pode definir onde nem quando surgiram as micronações. Mas se tem notícia, por exemplo, de nações criadas há vinte (Reino de Talossa, por exemplo) ou trinta anos (Reino de Landreth). Por esta razão, há de ser repudiada a denominação de "país virtual" ou "net-cidadão", usada por alguns, erroneamente. Não se trata de "virtual", pois há micronações que até hoje não mantém representação na Internet, além daquelas que, somente após meses ou anos de existência, resolveram colocar um website na grande rede. Das mais influentes micronações, poucas funcionam somente na internet; e mesmo as que foram criadas na rede ultrapassaram a barreira dos e-mails e ICQs com os encontros entre cidadãos e quilos de papéis que seus governos consomem no dia-a-dia.
É muito comum algumas dessas nações, tentando se diferenciar, utilizarem outras denominações que não a de "micronação", tão difundida atualmente; assim, pode-se achar "comunidades virtuais", "comunidades on-line", "nationettes", "mini-sociedades", etc. É o que chamamos de auto-afirmacionismo. Não obstante isto, é praxe considerá-las micronações, por se enquadrarem total e completamente no perfil micronacional; além disso, esta fragmentação é extremamente prejudicial ao estudo das micronações.
Uma micronação se torna influente não por seu "poderio militar" - coisa que inexiste completamente no Mundo Micronacional (a grande maioria das nações repudia a idéia de guerra micronacional efetiva, podendo-se, no máximo, ter um conflito verbal, uma "Guerra Fria"), mas sim após a avaliação dos seguintes critérios, interdependentes: atividade, credibilidade, história micronacional de seus líderes. A actividade é avaliada facilmente; quão freqüentemente aquela micronação edita leis? Quantos jornais tem? Realiza eleições? Há muito debate político? Quantos cidadãos possui? Se está on-line, tem lista de discussão? Já a credibilidade é estudada com mais afinco: aquela micronação respeita as leis do Direito Intermicronacional (que coincidem com o Direito Internacional que rege as relações entre os Estados)? Relaciona-se com as outras de maneira educada e formal, quando necessário? É reconhecida como activa? A história micronacional de seus líderes é também muito importante: é liderada por gente que muda de micronação como se troca de camiseta? Seus líderes são micropatriólogos renomados, daqueles consultados sempre que se discute o assunto "micronação"? Certos estudiosos levam em conta o fator fama macronacional, que consistiria na publicidade recebida por aquele país na mídia: quantas vezes saiu no jornal? Em quantos países? Já fou retratada na televisão? Acreditamos, porém, não ser isto fator importante para se determinar o grau de desenvolvimento de um micropaís.
Torna-se cada vez mais comum o isolacionismo micronacional, política segundo a qual uma micronação deixa de relacionar-se formal e até informalmente com as outras micronações. É comum entre os praticantes do auto-afirmacionismo, sendo que alguns adeptos são tão xenófobos a ponto de atacar qualquer um que se pronuncie em locais públicos de seus países. Há o isolacionismo que deriva de simplesmente de um sentimento de superioridade (é o caso de Talossa, que considera-se única, imbatível, e passou a ignorar a existência de 99% das micronações, após anos "encabeçando" a lista de participantes do movimento micronacional.), aquele que provém das novas teorias micronacionais de Evan Gallagher (que acredita que as micronações, para sobreviverem, devem se tornar menos formais e burocráticas, perdendo até mesmo a conotação de "país" em prol de um conceito que seria mais amplo, o de "sociedade". É o caso de Pingüínia) e o que é fruto de uma política diplomática (quando o governo de uma micronação decide fechar relações diplomáticas com todos e "viver internamente", como certa vez disse o micropatriólogo Rick Harwood). Resultado disso é a total relativização da idéia de credibilidade.
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19:07
by Carlos Correa
Nesta semana, montei uma micronação junto do Henri e do Renner, dois de meus melhores amigos.
A Idéia é justamente o exercício de cidadania e estado onde, a COMUNIDADE LIVRE DE ANDALUZIA é real em tudo, só que existe apenas em nossas ideologias e no plano das idéias.
Todos estão convidados a participar dessa nação, basta entrar em contato comigo. Só lembrando que a organização do país se baseia no diálogo Anarquista/Libertário!
Nossa bandeira:
Quanto a mim, estou vivendo quase que por demanda. Minhas motivações vêm e vão a partir dos estímulos externos que recebo todos os dias. Acho que a única coisa que não posso perder é minha consciência, o resto já não é tão importante assim.
Vou tentar explicar nos próximos posts a idéia de micronacionalismo e também falar um pouco do discurso libertário...
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18:47
by Carlos Correa
TERRORISMO
Vän Caix
Corpos destroçados,
imagens de crianças em pedaços,
velhas mulheres arrancadas e embaladas,
operárias, trabalhadoras com corpos entalados
nas ferragens.
Foi a bomba maldita,
maldita bomba,
sem endereço certo.
Matou milhares,
não pediu carteira de identidade,
nem classe social,
se eram civis ou militares.
Era a resposta doida,
animal,
de tanto mal,
de tanta maldade,
da desigualdade,
da dor,
do inferno sem cor,
do Vietnâ,
da Indochina,
do BustTão.
Do Afagnistão.
Do ódio acumulado,
do Iraque, das iraquianas meninas,
das crianças, das velhas michimas.
Uma explosão de dor,
uma dor todos os dias no coração.
As elites criminosas indignadas,
inocentes nos trilhos de ferro,
mortas, espalhadas.
Paz!
Paz!
Não a paz das elites criminosas.
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Sexta-feira, Março 05, 2004
Posted
09:58
by Carlos Correa
Nossa! Quanto tempo sem escrever nada... Parece que o tempo parou aqui e sem uma explicação lógica, não estou conseguindo realizar o que tenho por fazer.
Tenho que traduzir algumas legendas (Minissérie Os Filhos de Duna, continuação da minissérie Duna); escrever, tanto aqui como em qualquer outro lugar; ler meus livros (que agora são 3 ao mesmo tempo: Os Dias do Cometa, À Espera de um Milagre e História das Idéias e Movimentos Anarquistas), sem falar dos que estão na fila, como Angus e A Voz do Fogo.
Cotidianamente, os dias têm sido relativamente iguais, com algumas pitadas de sal e cebola em alguns momentos, mas a maior novidade é que agora eu tenho uma câmera digital! Além de excercer um antigo hobby, também posso colocar as imagens daqui na rede (vide link do lado esquerdo).
No mais acho que é isso, minhas aulas na pós começam neste sábado. Já estava cansado de férias...
Obs: A epígrafe do livro de H.G. Wells "Os Dias do Cometa" que postei antes é de autoria do pensador anarquista Percy Bysshe Shelley, talvez o maior discípulo de William Godwin. Segue a citação completa e imagens desses dois aí...
"A grande idade da terra recomeça,
Retornam os anos de ouro,
Como uma semente, a terra se renova
As ervas daninhas do inverno já esgotadas,
O céu sorri, as crenças e impérios cintilam
Como destroços de um sonho que se desfaz".
Shelley (1792 - 1822 "perdido no mar")
Godwin (1756 - 1836)
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